A história de luta, perseverança, leniência e coragem da advogada, empresária e triatleta Adriana Mangabeira Wanderley encoraja milhares de mulheres que lutam por justiça no Brasil
Em 7 de outubro de 2020, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou pedido de perdão judicial e decidiu, por 10 votos a 2, manter a tramitação da ação penal n.º 886/DF que tinha como alvo o então presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), desembargador Tutmés Airan, acusado de crimes de injúria e difamação contra a honra da renomada advogada, ao atacá-la após ser denunciado por ela ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), acusado de uma suposta negociação de sentença.
“Mais uma grande vitória da verdade e da Justiça. Acabo de ter mais um êxito. […] Em sede de embargos de declaração opostos pelo Dr. Nabor Bulhões, venci meu professor por 10 votos a 2. Mais uma manobra contra os fatos caiu por terra. Vale a pena acreditar na justiça. Advogo em causa própria e esse fato me faz ainda mais orgulhosa. Vamos combater a corrupção”, escreveu a advogada em seu perfil no Facebook, na tarde do dia 7 de outubro de 2020.
A Ação Penal 886/DF foi aberta em decorrência do fato de Tutmés ter enviado à reportagem do Diário do Poder e a outros destinatários um áudio em que chamava a advogada Adriana Mangabeira Wanderley de “vagabunda, desonesta, desqualificada, sacana e ficha corrida pouco recomendável”, quando foi abordado com perguntas sobre as acusações formalizadas junto ao CNJ.
Mangabeira, que representa a si mesma como advogada na ação penal, denunciou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ter sido abordada por um suposto interlocutor de Tutmés, com a informação de que o desembargador lhe daria sentença favorável, em troca do pagamento de R$ 30 mil ou da metade do valor da causa em que a denunciante pedia o recebimento de seus honorários de R$ 800 mil por serviços prestados à Braskem, controlada pelo Grupo Odebrecht.

Nesta semana, o desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo, de forma pública e espontânea, reconheceu nos autos da Ação Penal Privada nº 886/DF (2017/0314872-8), em tramitação perante a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em que figura como querelado, formalmente se retratou, retirando, por completo, todas as palavras ofensivas (consideradas pela querelante como injuriosas e difamatórias) que proferiu em seu desfavor e que se encontram registradas na petição inicial da ação penal privada acima referida.
Ela formalmente aceitou o pedido de desculpa do desembargador alagoano, colocando um ponto final no imbróglio que durava anos. Foi uma grande vitória da advogada alagoana, reconhecida por sua luta contra a corrupção e o machismo impregnado em boa parte do judiciário brasileiro.
“Sr. TUTMÉS AIRAN DE ALBUQUERQUE MELO, eu, ADRIANA MANGABEIRA WANDERLEY aceito sua retratação como pedido de desculpas, o perdão fica para Deus; eu sou uma mera humana. A sua atitude de reconhecer o erro é muito importante, espero que tenha sido de grande aprendizado, para que jamais se repita com outras mulheres.
Tenho acompanhado seu trabalho frente ao Tribunal de Justiça de Alagoas, onde tem defendido pautas em enfrentamento à violência contra a mulher que visa cuidar de mulheres que estão em situação de vulnerabilidade. Fica aqui registrado que aceito o pedido de desculpas e espero que esteja sendo de grande valia o trabalho realizado pelo referido TUTMÉS AIRAN DE ALBUQUERQUE MELO, mostra que realmente está arrependido. Brasília/DF, 01 de fevereiro de 2023”, afirmou a advogada alagoana.
Mangabeira tem defendido causas importantes e por isso tem sido procurada por mulheres de todo o país que a veem como importante liderança para defendê-las.
Seja em Brasília ou em Alagoas, a advogada – que também é triatleta profissional -, esbanja talento, conhecimento e coragem, que certamente a conduzirá a voos mais altos no judiciário brasileiro.
De fato, o Judiciário precisa muito de mulheres destemidas como Adriana Mangabeira Wanderley.


